RESGATANDO AS ORIGENS – Concept Fashion

RESGATANDO AS ORIGENS

Grifes buscam suas raízes como inspiração.

Tradições, histórias, costumes e hábitos vão se perdendo ou caindo no esquecimento ao longo dos anos e das trocas de gerações. Porém alguns profissionais estão trazendo essas referências em seus trabalhos, traduzindo suas raízes em lindas peças e performances.

A House of Aama, marca criada por Akua Shabaka e sua mãe Rebecca Henry em 2013, resgata a herança negra do sul dos EUA e começa a ganhar mais destaque no mundo da moda, com a tradução de sua identidade cultural.

Convidadas a participar do festival Afropunk, em Nova York. Viram que vários outros designers também usavam tecidos africanos, uma de suas principais matérias de desenvolvimento e inspiração, assim decidiram encontrar uma maneira menos óbvia de expressar sua identidade. Em 2015 Akua voltou seu tempo para os estudos e formas de deixar sua marca ainda mais autentica. O resultado é a nova coleção de Inverno 17. Com vestidos de inspiração vitoriana atualizados para os dias atuais, ternos listrados, tops cropped feitos com tecidos africanos, blusas de seda, são a essência da coleção chamada Bloodroot. Nome de uma erva usada como remédio alternativo e considerado um guardião das famílias.

Outra marca que também trouxe suas referências da cultura jovem afro-europeia dos anos 60 é a famosa Gucci. A coleção Soul Scene, inspirada na exposição fotográfica de Malick Sidibé, Made You Look, explorando a masculinidade negra através do dandismo e a vida noturna na década de 1960 e 70 em Mali, chamou bastante atenção ao trazer um casting exclusivamente de modelos e dançarinos negros, contrariando uma tendência da indústria de moda em trabalhar com a maioria de brancos.

Outro fator interessante dessa coleção é uma jaqueta desenhada por Alessandro Michele, diretor criativo da marca, com manga bufante inspirada em uma das peças mais icônicas do estilista Dapper Dan, feita em 1989 especialmente para a atleta Diane Dixon. O resultado ficou bem parecido, mas os créditos não foram dados. No dia seguinte ao desfile, comparações já estavam na internet pedindo que a marca desse os créditos ao estilista, inclusive a própria Diane. Dapper, por sua vez, não sentiu que sua criação fora apropriada; ele inclusive ficou feliz de vê-la no desfile.

O melhor dessa confusão foi a parceria criada pela Gucci e o estilista. Onde o americano deve (re)inaugurar a segunda geração da Dapper Dan’s Boutique, desta vez com um ateliê sob medida patrocinado pela Gucci. Além disso, Dapper e Michele farão uma coleção cápsula a quatro mãos, que será vendida nas lojas da grife italiana e está prevista para o próximo ano.

Com toda essa atitude, o rumo é só crescer!