HOUSE OF DRAG QUEENS – Concept Fashion

HOUSE OF DRAG QUEENS

A arte da transformação!

Muitas personificam celebridades já consagradas, outras exploram sua personalidade para criar uma estrela própria. Mas em comum, as novas drags queens vêm ultrapassando suas referências e alcançando sempre mais sucesso.

RuPaul Charles, atriz e cantora de 57 anos, uma das figuras mais emblemáticas entre as performers da década de 1980 e 1990, fez do seu programa, RuPauls’s Drag Race, uma febre mundial. Sua mistura de reality show e concurso de miss, lançado em 2009, alcançou sua nona temporada, em março desde, buscando identificar a próxima estrela entre as drag queens dos Estados Unidos. É como se fosse uma mistura de America’s Next Top Model e America’s Got Talent, onde as participantes precisam mostrar seus talentos de produção, dança, canto sem descer do salto.

O programa já apresentou ao mundo nomes como Milk, Alaska Thunderfuck, Bianca Del Rio, Violet Chachki, Kim Chi e muitas outras. A lista de comediantes, dançarinas, modelos e cantoras que encontram na série um lugar mais amplo para divulgarem seus trabalhos é realmente extensa.

Foi de olho no programa que uma nova geração surgiu e apareceu, como é o caso do maranhense Phabullo da Silva, a Pabllo Vittar, dona do clipe original de uma cantora drag queen, um dos mais assistidos no You tube com a música Todo Dia.

“A Drag virou meu alter ego, e com ela eu me tornei uma pessoa mais madura e confiante em relação a tudo o que eu faço”. Disse Pabblo Vittar.

Com uma turnê que já cruzou 40 cidades do país a cantora também teve seu talento reconhecido pelo programa Amor & Sexo da rede globo, ao entrar para o elenco do programa.

Ganhar os palcos é um desejo entre as drags e, se hoje isso tem sido uma possibilidade cada vez mais real, é porque muitas pavimentaram o caminho antes. Essa construção foi feita à base de desejo e sem nenhum glamour, como pode ser visto no documentário Paris is Burning (1990) da diretora Jennie Livingstons. Um marco da cultura gay e voguing de NY, ilustrando as “houses” de drag queens e travestis do final dos anos 80. Num contexto pobre e violento, elas comentam os sonhos de serem divas, dançarinas famosas, como gostariam de brilhar nas mídias.

Outros artistas adotaram essa expressão como uma forma de homenagem, por exemplo Lady Gaga, que chama sua equipe criativa de “Haus of Gaga”. Uma forma de aprender e respeitar mais sobre essa cultura que só cresce em meio a sociedade e na moda.

Aqui no Brasil, a cena drag fez história, servindo de referência para a moda, a música e o teatro com o grupo de teatro Dzi Croquettes (1972), chocando o regime militar da época e deixando um legado que abordavam a forma travada que o brasileiro lidava com a sexualidade. Onde expressavam sua liberdade, sexualidade e criatividade numa época de pobreza e preconceito.

Falando nos filmes e carreiras do mundo das queens, não podemos deixar de falar do clássico Priscilla, a rainha do deserto (1994). Um dos primeiros filmes a mostrar o tema da homossexualidade não apenas com humor e cheio de estereótipos, mas também o lado humano das personagens, fazendo uma ligação com o passado de cada uma e a maneira como conduziram suas vidas até o momento em que resolveram se unir e viajar para mostrar sua arte. Com um lindo figurino, cheio de vida e brilho de Tim Chappel. Muito divertido e comovente.

Mais autênticas do que nunca as drags arrasam cada vez mais!